A Brahma marca presença no jogo Bangu x Andaray de 1913

É notória a preferência dos jogadores de futebol da atualidade por uma cervejinha gelada. Aliás, não só eles: todos os brasileiros parecem compartilhar do mesmo hábito, fazendo há mais de um século a fama do chopp da Brahma, companhia fundada em 1888 no Rio de Janeiro.

 

Curioso pensar que, com 25 anos de existência, em 1913, a Brahma adotava uma estratégia de marketing que consistia em visitar os clubes esportivos da cidade aos domingos para promover o seu novíssimo “sifão automático de chope”.

 

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Assim, em pleno calor de verão do mês de fevereiro, rumou para Bangu o representante da Brahma, Ernesto Augusto Carneiro, para presenciar um jogo amistoso entre o clube local e o Andarahy. Apenas um órgão de imprensa – A Época – acompanhou o desenrolar da partida que, ao que tudo indica, despertou bastante interesse dos banguenses:

 

“À 1 hora da tarde o pitoresco ground do Bangu apresentava um aspecto encantador. Viam-se, quer às arquibancadas, quer às aleias do Pavilhão repletos de sportmen e senhoritas que ansiosamente esperavam o encontro das duas sociedades, o que não se fez tardar muito”.

 

Não se fez tardar muito porque às 2 horas começou o jogo preliminar das equipes secundárias. A partida principal só começou mesmo às 4 horas e, além de ter caráter amistoso, apresentava uma disputa desleal: de um lado o Bangu, time da 1ª Divisão; do outro o Andarahy, da 2ª Divisão.

 

Ao final do 1º tempo, o Bangu já vencia por 3 a 0, com dois gols de Narciso Araújo e um Francisco Gomes, o Chiquinho. No 2º tempo, os banguenses colocaram o pé no freio, Arlindo Barbosa fez o quarto gol e o Andarahy conseguiu marcar o seu de honra.

 

Mas a grande alegria ocorreu ao término do tempo regulamentar. Diretores, jornalistas e jogadores – estes ainda suados – foram convidados para experimentar o chope tirado na hora, geladinho, do tal sifão automático da Brahma.

 

Os jogadores do Bangu, bastante jovens, como o zagueiro Guilherme Pastor e o atacante Patrick Donohoe (ambos com 19 anos) não perderam tempo e ajudaram a “secar” o barril, que continha 10 litros de chope.

 

A invenção tinha feito sucesso e, se dependesse da sede dos banguenses naqueles dias de muito calor, poderia ser comercializada imediatamente. Logo, as revistas semanais passaram a publicar anúncios vendendo o barril com o sifão automático, ao custo de um mil-réis o litro (para efeitos de comparação, os arrendatários do botequim do campo da Rua Ferrer pagavam um aluguel de 30 mil-réis mensais).

 

 

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O representante da Brahma não sabia, mas tinha levado a nova invenção ao lugar certo. Futuramente, nos anos 1980, os torcedores do Bangu fundariam uma torcida chamada BanPorre. E já no século XXI, notabilizou-se a BanGoró, conhecida pelo fato de seus integrantes raramente entrarem no estádio para assistir aos jogos, preferindo sempre ficar pelos bares das redondezas…

 

E o que dizer do folclórico técnico Moisés? Na sua filosofia liberal de trabalho, ele costumava dizer que: “jogador meu bebe, namora, fuma. É gente”. Ou do próprio Patrono Castor de Andrade que chegou a prometer ao volante Mococa um alambique inteiro se ele reeditasse no Bangu as boas atuações que teve com as camisas do Palmeiras e do Santos.

 

Se Mococa jogasse em 1913, certamente iria querer um sifão automático de chope só para ele…

 

 

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Carlos Molinari é torcedor e historiador do Bangu.

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