O Fluminense pulou da Série C para a Série A do Brasileiro?

O Fluminense pulou da Série C para a Série A do Brasileiro?

 

Vamos ver.

 

O FLUMINENSE E A ORGANIZAÇÃO DA COPA JOÃO HAVELANGE DE 2000

Em 2000, quando a CBF tomou uma dura da FIFA por causa da briga do Gama na Justiça Comum, motivada pelo rebaixamento para a Série B devido ao Caso Sandro Hiroshi, ela abriu mão de organizar o Campeonato Brasileiro.

 

Essa decisão deu origem a Copa João Havelange, organizada pelo Clube dos 13. Ela não era o Campeonato Brasileiro, e sim um novo campeonato que começava do zero. Com isso, todas as definições dos Brasileiros de 1999 (Séries A, B e C) não tiveram continuidade pois o Brasileiro de 2000 não existiu. Por mais que ela não fosse o Campeonato Brasileiro, seu campeão, o Vasco, foi reconhecido como tal pela CBF.

 

A Copa João Havelange teve 114 clubes organizados em 4 módulos: 25 clubes no Módulo Azul, 26 no Amarelo, 27 no Verde e 26 no Branco. Passada a Fase Classificatória, a Fase Final foi disputada no formato de torneio a partir das oitavas-de-final por 16 clubes: 12 do Módulo Azul, 3 do Módulo Amarelo (São Caetano, Paraná e Remo) e o vencedor da final dos Módulos Verde e Branco (Malutrom).

 

Assim, o Clube dos 13 convidou, ressaltando, CONVIDOU os 114 clubes que disputaram a Copa. Por exemplo, o Módulo Azul foi composto:

 

  • pelos 18 classificados para a Série A de 2000, incluindo Botafogo e Internacional-RS, favorecidos pelo Caso Sandro Hiroshi;
  • por Goiás e Santa Cruz, campeão e vice da Série B de 1999, consequentemente classificados para a Série A de 2000;
  • pelo Juventude, rebaixado para a Série B de 2000;
  • por Fluminense, Bahia e América-MG, que disputariam a Série B de 2000;
  • e pelo Gama.

 

 

Foi assim que o Fluminense foi parar no Módulo Azul: convidado da mesma forma que os outros 24 clubes para uma Copa que estava em sua primeira edição e que não tinha relação com as Séries A, B e C do Brasileiro de 1999 e suas definições.

 

 

O FLUMINENSE E A ORGANIZAÇÃO DO BRASILEIRO DE 2001

Em 2001, quando a CBF voltou a organizar o Brasileiro, ele foi organizado do zero pois a sequência de Brasileiros havia sido interrompida pela Copa João Havelange. A edição de 2001 não tinha qualquer relação com esta Copa e nem com o Brasileiro de 1999, pois em 2000 nós não tivemos o Campeonato.

 

Assim, da mesma forma que o Clube dos 13 em 2000, a CBF ficou livre para escolher os clubes que disputariam a Série A de 2001. Nessa montagem, sua principal preocupação foi evitar novos questionamentos judiciais depois da confusão de 1999. Nisso, a CBF foi muito bem sucedida pois não houve um único problema.

 

A CBF convidou, ressaltando, CONVIDOU 28 clubes para este campeonato:

 

  • os 18 clubes classificados para a Série A de 2000, mais Botafogo e Internacional-RS, favorecidos pelo Caso Sandro Hiroshi;
  • Goiás e Santa Cruz, campeão e vice da Série B de 1999, consequentemente classificados para a série A de 2000;
  • os quatro clubes rebaixados para a Série B de 2000: Gama, prejudicado pelo Caso Sandro Hiroshi, Juventude, Botafogo-SP e Paraná;
  • Fluminense, Bahia, América-MG e São Caetano, que teriam disputado a Série B de 2000.

 

 

Foi assim que o Fluminense foi parar na Série A do Brasileiro de 2001. Ele foi convidado, da mesma forma que os outros 27 clubes para um campeonato que foi organizado do zero, pois não tinha relação com a Copa João Havelange ou com o Brasileiro de 1999, já que nós não tivemos o campeonato organizado pela CBF em 2000.

 

Enquanto o Fluminense foi achincalhado de forma ignorante e com base em mentiras, ninguém falou nada do São Caetano, que nunca foi campeão da Série B ou sequer subiu como um dos seus primeiros colocados, e mesmo assim foi vice-campeão da Copa João Havelange, vice-campeão brasileiro de 2001 e vice-campeão da Libertadores de 2002. Pelos mesmos critérios absurdos utilizados na perseguição ao Fluminense, o São Caetano também deveria ter sido questionado, mas não foi.

 

O que aconteceu no triênio 1999, 2000 e 2001, também aconteceu no triênio 1986, 1987 e 1988, mas com desfecho bem diferente.

 

 

O BRASILEIRO DE 1986, A COPA UNIÃO DE 1987 E O BRASILEIRO DE 1988

 

O PROBLEMA DO BRASILEIRO DE 1986

O Campeonato Brasileiro de 1986 teve uma importância histórica esquecida: ele fecharia a Série A, iniciando o rebaixamento da Série A para a Série B e a promoção da Série B para a Série A. Até então, a Série A era formada ano-a-ano e não havia rebaixamento. Por exemplo, de 1980 a 1985, os clubes participavam da Série A em conformidade com a classificação pelos Estaduais ou por ranking histórico. A classificação pelos Estaduais funcionava da seguinte forma: cada Estado tinha uma quantidade X de vagas; uma vez preenchidas, quem ficou de fora passava a preencher as vagas da Série B. Foi assim que o Palmeiras, em 1981 e 1982, e o Corinthians, 1982, participaram da Série B. Além disso, os Brasileiros desses 6 anos tinham outra maluquice: um clube da Série B poderia ser promovido no meio do campeonato para a Série A. Foi assim que em 1982, o Corinthians começou na Série B, subiu para a Série A e foi eliminado na semifinal do campeonato pelo Flamengo, que conquistou o título. Tudo isso devidamente previsto no regulamento.

 

Campeonato Brasileiro Séria B 1981 (link);

Campeonato Brasileiro Séria A 1981 (link);

Campeonato Brasileiro Séria B 1982 (link);

Campeonato Brasileiro Séria A 1982 (link);

 

 

A CBF queria acabar com essa maluquice, mas para isso, promoveu outra maluquice: o Brasileiro de 1986.

 

O Brasileiro de 1986 foi disputado por 80 clubes, sendo que 44 estavam no Torneio Principal e 36 no Torneio Paralelo, uma espécie de Série B dentro da Série A (isso é sério). Terminada a primeira fase, 32 clubes do Torneio Principal e 4 do Torneio Paralelo estariam classificados para a segunda fase. E os demais clubes? Rebaixados para a Série B de 1987. Na segunda fase, os 36 clubes foram organizados em 4 grupos com 9 clubes. Os 4 primeiros colocados de cada grupo se classificariam para as oitavas-de-final. Os dois últimos colocados seriam rebaixados para a Série B de 1987.

 

Terminada a primeira fase, 48 clubes estavam rebaixados para a Série B de 1987, entre eles o Coritiba, campeão brasileiro do ano anterior, 1985. Terminada a segunda fase, foram rebaixados mais 8 clubes, entre eles o Botafogo e, ora, ora, o Sport-PE, que viria a ser o Campeão da Copa União de 1987. O problema é que o rebaixamento começou a desmoronar por causa de uma confusão envolvendo o Vasco. O Joinville ganhou os pontos da partida contra o Sergipe e ficaria com a vaga do Vasco para a segunda fase, que seria rebaixado para a Série B de 1987. Para salvar o Vasco, a CBF tentou empurrar a Portuguesa. Foi aí que os paulistas se uniram e disseram que se a Portuguesa fosse rebaixada, eles sairiam do campeonato (citei isso no texto do Caso Usuriaga). Para resolver a confusão, a CBF aumentou a quantidade de clubes do Torneio Principal na segunda fase, passando de 28 para 32. Uma vaga foi destinada para resolver a encrenca entre Vasco/Joinville e três vagas para Náutico, Sobradinho e Santa Cruz, clubes que haviam sido rebaixados na primeira fase, mas seguiram no campeonato. Num primeiro momento, todo mundo ficou feliz e seguiu a vida. O problema é que com esse rearranjo, as bases para os questionamentos dos rebaixamentos de 1986 no STJD e na Justiça Comum estavam lançadas.

 

 

A PÉSSIMA ORGANIZAÇÃO DA COPA UNIÃO DE 1987

Como a CBF acabou perdendo o controle sobre o rebaixamento desse ano, ela abriu mão de organizar o Brasileiro de 1987, inventando a balela de que não tinha dinheiro para organizar o campeonato (CBF sem dinheiro?). Essa responsabilidade passou para os clubes através do recém criado Clube dos 13. Foi assim que surgiu a Copa União, que da mesma forma que a Copa João Havelange, não era um Campeonato Brasileiro. Vocês perceberam que as duas se chamavam “Copa”?

 

Quando o Brasileiro de 1986 terminou, ele tinha 28 clubes classificados para a Série A de 1987. O que o Clube dos 13 fez então? Como a sequência dos campeonatos havia sido quebrada e a Copa União estava começando do zero, ele não deu a mínima para a classificação desses 28 clubes. Para organizar o Módulo Verde, o Clube dos 13 convidou, ressaltando, CONVIDOU apenas 14 desses clubes, mais Botafogo e Coritiba, que haviam sido rebaixados para a Série B de 1987. E os outros clubes? Fingiu que não existiam.

 

Como a gritaria foi grande, os outros 14 clubes foram organizados pela CBF no Módulo Amarelo (mas ela não estava sem dinheiro?). Entre os clubes que foram parar nesse Módulo estavam Guarani, vice-campeão do Brasileiro de 1986, America-RJ, semifinalista, Internacional-SP, Criciúma, Portuguesa e Joinville, clubes que haviam chegado até as oitavas-de-final do Brasileiro de 1986. O America-RJ se negou a disputar o Módulo Amarelo e ficou de fora. Para fechar esse grupo, foram convidados dois clubes que disputariam a Série B desse ano, Vitória-BA e, ora, ora, Sport-PE, somando 15 clubes.

 

O Módulo Amarelo poderia ser tudo, menos uma segunda divisão como alguns jornalistas ultrapassados, arrogantes e prepotentes insistem em dizer. Inclusive, se o Clube dos 13 tivesse organizado a Copa União de 1987 com os 28 clubes classificados na Série A de 1986 para a Série A de 1987, essa discussão cansativa sobre o quadrangular-final nunca teria existido. Pode-se começar do zero, mas que se comece com inteligência.

 

 

A ORGANIZAÇÃO DO BRASILEIRO DE 1988

Em 1988, a CBF voltou a organizar o Campeonato Brasileiro. Esse Brasileiro iniciou uma nova fase do campeonato, pois ele não tinha relação com a Copa União de 1987 e com as definições do Brasileiro de 1986, que não tiveram aplicação já que o Brasileiro de 1987 não existiu.

 

O Brasileiro de 1988 começou do zero e foi organizado pela CBF do jeito que ela quis. Ela convidou, ressaltando, CONVIDOU:

 

  • os 16 clubes do Módulo Verde da Copa União, inclusive Botafogo e Coritiba;
  • America-RJ, Bangu, Guarani, Portuguesa, Vitória-BA, Atlético-PR, Sport-PE e Criciúma.

 

 

No Brasileiro de 1988, ninguém veio com papo furado de “pague a Série B” ou “voltou para a Série A sem passar para a Série B” para o Botafogo, Coritiba e Sport-PE, que, ironia das ironias, ainda terminou como Campeão Brasileiro de 1987.

 

 

Links:

Campeonato Brasileiro de 1999 Série A (link);

Campeonato Brasileiro de 1999 Série B (link);

Campeonato Brasileiro de 1999 Série C (link);

Copa João Havelange (link);

Campeonato Brasileiro de 2000 (link);

 

Campeonato Brasileiro de 1986 (link);

Copa União 1987 (link);

Campeonato Brasileiro de 1988 (link).

 

 

Jorge Priori é torcedor do Fluminense e gosta muito de história.

1 Comment

  1. Com tudo isso, permanece a vergonha do jeitinho que se resolve as coisas nesse país. Tudo tem maracutaia e ainda pensam em dar ares de seriedade. Errar é humano colocar na conta de outro é estratégico. A realidade é que os bastidores e a corrupção foi o causador de tudo isso.

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